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Imaginava que fosse chegar numa boate e ia ser uma pegação do caralho.  Peguei duas bebidas.

 

"Quando eu era adolescente, meu ideal era casar com um cara ruivo de olhos verdes".

 

"Nas festas rolava de minhas amigas brancas ficarem com os meninos e eu ficar sozinho. Demorei a entender porque isso acontecia".

 

Meu primeiro namorado foi preto, o segundo também. Eu fui pensando no motivo. Nunca rolou de sair uma segunda vez com um branco. Nunca foi além do beijo, além da foda. Até que eu parei total de procurar. Vou valorizar quem me valoriza.

 

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"As pessoas com quem eu consigo uma relação mais profunda, além do "estamos se pegando", são pessoas pretas... e agora eu sei... isso é ótimo. Não estou reclamando".

"Eu sou bem Alice. Quero casar, ter filhos e um cachorro".

"Eu sempre tive cabelo grande. Na escola, tacavam bolinha de papel. Falavam pra eu fazer chapinha".

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"Minha mãe sempre me ensinou a ter orgulho de mim. E o meu cabelo fazia parte disso".

 

"Meu cabelo faz parte da minha identidade".

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"Eu cresci na Zona Sul, sempre tive uma vida de classe média. Minhas experiências foram todas de ser um dos poucos negros da turma na escola, o único negro na rua."

 

"A educação que meus pais me deram fez com que eu não tivesse problemas de autoestima quanto a minha cor. Sempre me ensinaram a ter orgulho de ser quem eu sou".

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"Por mais que eu tivesse amizade com pessoas brancas, eu percebia que a conversa chegava numa barreira que só poderia ser ultrapassada com outras pessoas negras".

 

"Quando eu falava de alguma situação que eu tinha como certa ser de racismo, essas amizades brancas diziam que era coisa da minha cabeça".

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"Sempre fui colocado num lugar que eu nem sabia o que era. Sempre fui chamado de viadinho, sem saber o que isso era". 

 

"O preconceito aparecia de uma forma sutil. Quando acontece uma ou duas vezes você tende a achar besteira. Mas ao longo de toda a infância as ações se repetiam. Era sempre a mim que pediam para pegar água".

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“A entrada na UERJ foi uma voadora na minha cara.” 

 

"Tenho até vergonha de falar, mas eu não sabia que tinha tanto preto assim”.  

"E sim, eu sempre soube que tenho condições que muita gente não tem, mas estar ali com essas pessoas que não tiveram as mesmas condições que eu e ver elas produzindo coisas foda pra caralho é incrível”.

“Mas aí a galera começa a ter outras prioridades porque 400 reais não dá conta das despesas. Aí começa a sumir. Não tem mais tempo pros corres da faculdade. E no final acaba que até se forma, mas bota o diploma debaixo do braço e vai fazer qualquer coisa que não tem nada a ver com a graduação que estudou”. 

“A universidade está zero preparada pra quem tem que trabalhar e encarar realidades diferentes daquelas da classe média".

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"Na mesma época da UERJ, surgiu a Batekoo. Pela primeira vez eu quis beijar várias bocas numa night".

 

"Me senti impactado com a galera dando uns closes absurdos".

 

"Impactado e intimidado. Viado fazendo coreô sempre me intimidou. Como esses putos conseguem dançar desse jeito?!”

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“Trabalho em laboratório desde os 16 anos. Atualmente estou trabalhando com ecotoxicologia e conservação de peixes."

 

“A falta de representatividade fora da porta de casa sempre me acompanhou. Na UFF, onde eu estudo agora, o instituto de Biologia tem 120 professores. Apenas quatro são negros e nenhum deles com pesquisas a partir de perspectivas raciais”.

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"Pretendo seguir no mestrado e no doutorado. Não sei qual área ainda, mas minha vontade é articular questões sociais a minha pesquisa”.

 

“Eu, desde criança, falo que vou ser cientista”.

 

 

 

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Fotos: Thiago Lara

Produção: Nanda Maccal e Felipe Martins

Estúdio: Sala 901

Edição de texto: Felipe Martins

Edição de arte/web: Lucas Ribeiro

 

Liberdade de Ser com o estudante de biologia Lucas Tovar publicada em 22 de agosto de 2018. A série de ensaios é uma concepção do jornalista Felipe Martins, editor de Rio Gay Life.