Bloco-balada Minha Luz É de Led leva multidão ao Centro do Rio

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Praça Marechal Ãncora ficou lotada para a festa pop do bloco mais iluminado do Carnaval LGBT do Rio

O bloco Minha Luz É de Led realizou mais um desfile levando uma multidão ao Centro do Rio para dançar ao som dos hits das divas pop, misturados com clássicos do axé baiano e até mesmo sertanejo universitário.  A caminhada colorida  começou já na madrugada desta sexta-feira, faltando pouco para 1h da manhã e foi madrugada adentro. O clima foi de descontração do começo ao fim da festa. A pista, ou melhor, a calçada ferveu quando odj da festa soltou o hino "New Rules" , de Dua Lipa. Você quer balada na rua no Centro do Rio@?

 

O Minha Luz completou mais um ano no Centro da Cidade repetindo a estrategia de divulgar o local da festa no último momento.  A estratégia não deixa de ser curiosa, porque nos últimos anos  a praça Marechal Âncora já é destino sabido dos foliões da madrugada.  Não por acaso, por volta de 23h, centenas de pessoas aguardavam no local a chegada dos leds coloridos.  Às 2h, a multidão cantava em peso, em volta do palco, os conhecidos sucessos que embalam o bloco.

 

"Eu amo o Minha Luz é de Led. É o melhor bloco do Rio de Janeiro, Toca as melhores músicas da balada. Não curto samba, por isso amo o Minha Luz. É carnaval pra quem é jovem e curte farra na noitada", disse Aline Ferreira, 25 anos, moradora de Ipanema. "Vim ano passado e vou vir sempre que tiver. O Minha Luz tem essa  preocupação de manter a identidade. Ter uma galera que tem essa vibe mais closeira", disse Igor Oliveira, 23 anos, morador do Bairro de Fátima, com um adereço escrito "Chora Crivella" na cabeça. O bloco acabou afrontando uma medida da Prefeitura que proibiu o cortejo de foliões depois das 22h. 

 

Frequentador da festa "V de Viadão", ele era um dos mais animados e sabia cantar todas as músicas que saíam da caixa de som. "Se for para arrastar a raba no chão eu nem saio de casa", gritou antes de se despedir da reportagem levantando o olhar de  um morador de rua que se ajeitava para dormir coberto por um lencol até a cintura. 

 

"Estratégia é segregar"

 

Se o Minha Luz agradou quem estava na festa, irritou quem não conseguiu ficar ou chegar ao local. Por volta de meia-noite e meia, o assistente administrativo Marcelo Pires, 26 anos, optou por ir embora. "Eu moro em Bonsucesso e tenho que estar às 9h no trabalho. Essa história de trabalhar sem dormir é muito bonita quando você mora com pai e mãe que te  ajudam a  pagar as contas. Moro sozinho numa quitinete e não vou correr risco de perder emprego. Ano passado, o bloco começou por volta de 23h e deu pra curtir um pouco. Esse ano já passa de meia-noite e nada.  Tenho que entender que o bloco é feito por uma galera de classe média para uma galera de classe média. Foi meu último ano", desabafou.

 

Nas redes sociais, muita gente reclamava da falta de informação, embora o bloco alegue que é uma prática adotada desde a fundação. O publicitário Igor Ferreira, morador de Duque de Caxias, 25 anos, também decidiu tomar o rumo de casa com o início do desfile no começo da madrugada. "Essa conversa de que é pra evitar que fique grande demais é uma das maiores conversas fiadas inventadas por esses blocos criados por gente da Zona Sul. Isso não passa de marketing pra gerar barulho nas redes sociais. Que bloco secreto é esse que todo ano faz a festa no mesmo dia e no mesmo lugar, a Marechal Âncora?  A estratégia deles é segregar e segregar pela cor e região do Rio. Jogar o bloco pra madrugada é deixar de fora preto da Baixada como eu. Não venho mais. Vim ano passado e consegui curtir um pouco da festa saindo com a sensação de que o Minha Luz era um bloco agregador. Vi que me enganei".